Consultora de dados · Luanda
Ajudamos pessoas a tomar decisões através de dados.
Os números têm uma história para contar, e a nossa vocação é ajudá-lo a ouvi-la. Com a Data Kapital, as ideias ganham base, os projectos ganham direcção e as decisões ganham confiança.
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A Data Kapital nasceu em Luanda com uma convicção: quem entende os seus dados decide melhor e chega mais longe. Trabalhamos com estudantes, investigadores, empresas e organizações que sonham em grande e querem os números do seu lado.
Ambicionamos ser a referência em dados sobre Angola e sobre África. Cada estudo que publicamos, cada pessoa que formamos e cada projecto que acompanhamos é um passo nessa direcção.
DK Júnior. Um espaço para jovens universitários com vontade de crescer. Aqui aprende-se fazendo, em projectos reais, ao lado de quem faz da análise de dados o seu ofício.
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A indústria perdeu quase metade do seu peso no PIB desde 2002
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As Contas Nacionais são o sistema de registo contabilístico de todas as actividades realizadas na economia de um país, de forma agregada, num determinado período, geralmente um ano. Reflectem quanto a economia produziu e gerou de rendimento, e como o distribuiu. O PIB é o indicador mais conhecido deste sistema, e a ele associa-se o VAB (Valor Acrescentado Bruto), que mede quanto cada sector acrescentou de forma individual, ao excluir da produção os consumos intermédios provenientes do exterior ou de outros sectores.
A rubrica Indústria agrupa os ramos que transformam ou extraem recursos e produzem bens e infra-estruturas em Angola: a indústria transformadora, a indústria extractiva (extracção e refinação de petróleo, extracção de diamantes e de outros minerais metálicos), a construção civil e a produção e distribuição de energia, água e saneamento. Os valores são a preços fixados num ano de referência, para excluir o efeito da inflação e permitir analisar o incremento real de cada sector em percentagem do PIB. Este enquadramento permite analisar a variação do peso da Indústria no PIB face aos Serviços e à Agropecuária.
As oscilações do VAB da indústria têm razões diferentes ao longo de 2002-2025. Até 2007 o peso do sector aumentou 11,69% em relação a 2002, chegando ao máximo de 58,11%, o que pode ser justificado pelo aumento do investimento na exploração de blocos petrolíferos no período pós-guerra civil. Essa ascensão foi travada em 2008 pela crise económica mundial, com quedas de 2,99% nesse ano e de 26,96% no seguinte, e só em 2011 o peso voltou à casa dos 50% (52,3%). Ao todo, a Indústria perdeu 24,61 pontos percentuais do seu peso no PIB, uma redução relativa de aproximadamente 47,3%.
O peso do sector está fortemente ligado ao desempenho do petróleo: no período, em média, a extracção e produção de petróleo e gás representou 61,80% de toda a produção industrial, seguida da construção com 20,03% e da indústria transformadora com 12,3%. A queda do peso da indústria replica, em grande medida, a queda da produção petrolífera. O pico de produção foi em 2008, com 1,96 milhões de barris por dia, logo a seguir ao ano de maior peso da indústria no PIB (2007). Desde então a produção tem caído de forma persistente, cerca de 45,5% até 2025, ano em que, até Setembro, a produção média diária foi de 1,045 milhões de barris.
Em sentido contrário, a produção agrícola está em expansão desde 2002. O índice de produção alimentar da FAO para Angola passou de 41,84 nesse ano para 136,55 em 2025, uma variação de 226,36%, o que combina com as estatísticas do MINAGRIF sobre o aumento dos hectares cultivados e da produção animal. A Agropecuária e Silvicultura representam 89,9% do sector, e a Pesca e Aquacultura 10,1%.
O comércio, principal motor dos Serviços, seguido da administração pública (32,15% e 24,06%, respectivamente), contribuiu para uma variação de 8,63 p.p. do sector no período, que ultrapassou a Indústria em 2015. A expansão das telecomunicações, dos serviços de internet e das soluções digitais aumentou o peso das actividades de informação e comunicação: segundo o INE, em 2025 esta actividade registou um crescimento real de 50,52%, uma das maiores expansões da economia angolana.
Conclui-se que o PIB petrolífero é o motor da Indústria e que a queda persistente da produção de petróleo tem vindo a reduzir o peso relativo do sector no produto, abrindo espaço para os sectores não petrolíferos (Agropecuária e Serviços) aumentarem a sua significância nas contas públicas. Isto reforça o debate sobre a transição económica, a diversificação e a dependência do petróleo. Segundo o INE, a tendência mantém-se: no II trimestre deste ano o PIB não petrolífero cresceu 9,24%, face a 5,64% do petrolífero, uma diferença de 3,6 p.p.
Até que ponto a queda da capacidade produtiva no sector petrolífero e a ascensão do PIB não petrolífero se traduzem em vantagem para a economia angolana?
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